Good Vibes
Michele Huebes, 16 anos. Ama livros, música, chocolate, cores e pessoas (legais).
Good Vibes
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"Eu lembro do dia em que você se apaixonou pelo rasgo no meu peito e firmou um contrato de que seria meu lar, meu colo, meu refúgio de proteção. Você queria me cuidar e pediu que eu despisse os medos e o sufoco na sua casa, na sua cama, no seu peito. Você me deixou mastigar cada pedacinho do que você era, na minha voracidade em ter e pertencer. Me deixou penetrar no seu mundo, como se sempre tivesse sido meu o lugar reservado do outro lado do seu colchão. E também o espaço para deixar meus livros na sua cabeceira, e o lugar deixado para guardar minha escova de dentes no armarinho do seu banheiro. Seus olhos me diziam no silêncio absoluto que era eu quem você esperou por tanto tempo. E seus dedos no escuro dedilhando minhas costas, nuca, barriga, coxas. Seus dedos repetiam que sou eu quem você queria pra bagunçar a tua vida. A chatinha, mesquinha, faladeira, que ri de tudo e não se importa muito com nada. Eu, a tua menina, tua confidente, teu aconchego, tua mansidão calada. Você, a minha escolha mais bonita. Mas num dia preguiçoso, quem sabe em um domingo quando a gente estiver só esperando o sol se pôr pra se amar sem querer saber se amanhã é segunda-feira, nesse fim de tarde morno eu vou te falar baixinho que também era você quem eu esperava esse tempo todo. Nos dias seguintes eu vou te mostrar sem precisar dizer nenhuma palavra como você deixa as coisas tão mais lindas e vou falar da minha vontade de fugir contigo pra qualquer lugarzinho perdido pra refazer a minha vida e a tua. Agora mesmo eu ando esquecendo de todas as dores que eu já senti um dia, e de todos os caras que se aproveitaram do espaço no meu peito que sempre foi teu. E eu decidi promover um surto de amnésia induzido de todos os idiotas que tentaram acabar comigo. Agora eles são poeira, são nada. Porque é simplesmente maravilhoso descobrir que era beijando as pintinhas da sua barriga para escutar teu riso mais bonito que eu teria um pouquinho de paz. E saber que é nas falhas da sua barba, nas pintinhas da sua íris que se espalham ao redor das pupilas, nos contornos das suas mãos que eu sou feliz de verdade. Apagar tudo o que eu fiz até você chegar porque afinal nada era tão bom enquanto eu ainda não te escutava cantando no chuveiro e embromando as partes em que você não sabia a letra. Nada seria tão perfeito quanto não fazer nada ao seu lado, e isso jamais alguém entenderia. Eu vou pedir pra ficar pra sempre deitada nas suas costas, ganhando cafuné, cantando Cazuza pra você enquanto deitamos na rede deixando o dia passar de mansinho. Vou te deixar bilhetes no bolso do seu casaco, te ligar com saudade logo de manhã. Vou te acostumar aos meus dedos acariciando sua nuca, seu peito, seu coração. E você vai saber que te sinto sempre por perto quando você não está aqui."
Clarissa M. Lamega  (via stpv)
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"Caso tudo isso seja um trabalho inconsciente para me perder, parabéns, você está conseguindo. Mas se ainda existir dentro de você alguma esperança, eu preciso demais que você me abrace e me faça sentir aquilo novamente. É fácil, basta você querer, eu ainda quero tanto."
Tati Bernardi (via stpv)
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"Eu quase que nada sei… mas desconfio de muita coisa."
Guimarães Rosa.   (via escritoradeboteco)
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"Cometa bobagens. Não pense demais porque o pensamento já mudou assim que se pensou. O que acontece normalmente, encaixado, sem arestas, não é lembrado. Ninguém lembra do que foi normal. Lembramos do porre, do fora, do desaforo, dos enganos, das cenas patéticas em que nos declaramos em público. Cometa bobagens. Dispute uma corrida com o silêncio. Não há anjo a salvar os ouvidos, não há semideus a cerrar a boca para que o seu futuro do passado não seja ressentimento. Demita o guarda-chuva, desafie a timidez, converse mais do que o permitido, coma melancia e vá tomar banho de rio. Mexa as chaves no bolso para despertar uma porta. Cometa bobagens. Não compre manual para criar os filhos, para prender o gozo, para despistar os fantasmas. Não existe manual que ensine a cometer bobagens. Não seja sério; a seriedade é duvidosa; seja alegre; a alegria é interrogativa. Quem ri não devolve o ar que respira. Não atravesse o corpo na faixa de segurança. Grite para o vizinho que você não suporta mais não ser incomodado. Use roupas com alguma lembrança. Use a memória das roupas mais do que as próprias roupas. Desista da agenda, dos papéis amarelos, de qualquer informação que não seja um bilhete de trem. Procure falar o que não vem à cabeça. Cantarolar uma música ainda sem letra. Deixe varrerem seus pés, case sem namorar, namore sem casar. Seja imprudente porque, quando se anda em linha reta, não há histórias para contar. Leve uma árvore para passear. Chore nos filmes babacas, durma nos filmes sérios. Não espere as segundas intenções para chegar às primeiras. Não diga “eu sei, eu sei”, quando nem ouviu direito. Almoce sozinho para sentir saudades do que não foi servido em sua vida. Ligue sem motivo para o amigo, leia o livro sem procurar coerência, ame sem pedir contrato, esqueça de ser o que os outros esperam para ser os outros em você. Transforme o sapato em um barco, ponha-o na água com a sua foto dentro. Não arrume a casa na segunda-feira. Não sofra com o fim do domingo. Alterne a respiração com um beijo. Volte tarde. Dispense o casaco para se gripar. Solte palavrão para valorizar depois cada palavra de afeto. Complique o que é muito simples. Conte uma piada sem rir antes. Não chore para chantagear. Cometa bobagens. Ninguém lembra do que foi normal. Que as suas lembranças não sejam o que ficou por dizer. É preferível a coragem da mentira à covardia da verdade."
Fabrício Carpinejar    (via desumanizar)
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